quarta-feira, 17 de abril de 2013

Impressão Serigráfica - Processo



IMPRESSÃO SERIGRÁFICA
PROCESSO

O processo de impressão serigráfica nada mais é, do que a passagem da tinta pelo tecido da tela. Porém para que ao fazer isso, tenhamos um impresso de qualidade, é preciso conhecer bem o processo, definir e controlar os parâmetros, tanto da impressão como da preparação da tela.

Aqui nós vamos falar basicamente do processo de impressão, embora em determinado casos, citaremos o processo de preparação da tela.

Na avaliação desses parâmetros é preciso avaliar:

  1. o tipo de rodo
  2. o ângulo de aplicação do rodo
  3. a velocidade de aplicação
  4. o peso (pressão) sobre o rodo
  5. o perfil do rodo
  6. o fora-contato da tela
  7. a esticagem do náilon da tela
  8. o material a imprimir
  9. Registros (Gabaritos)
  10. a tinta

1 – O tipo de Rodo
Os rodos são feitos de material flexível com dureza controlada e resistência química aos solventes utilizados nas tintas e na limpeza.

O material que tem se mostrado mais adequado é a borracha de poliuretano (PU), com várias durezas. Essa dureza varia de acordo com o tipo de material que está sendo impresso. Rodos mais duros para materiais planos e rodos mais macios para materiais irregulares, porosos ou enrugados.

A dureza de 70 Shores A é a mais recomendada por ser uma dureza intermediária.


2 – O ângulo de aplicação do rodo
Muitos pensam que a força exercida sobre o rodo (pressão) é responsável pela quantidade de tinta que passa pela tela durante a impressão, mas quem realmente exerce essa função é o ângulo de aplicação do rodo. Pequenas variações de ângulo promovem bastante variação na impressão. Quanto mais deitado estiver o rodo (numa impressão onde se trabalha puxando), ou quanto mais em pé (quando se trabalha empurrando o rodo), maior será a passagem de tinta, por causa da pressão hidráulica.

O ângulo mais usado é o de 75º. Ângulo maior que 75º deposita menos tinta e causa problema de cobertura, ângulo menor que 75º deposita muita tinta e tende a borrar.

3 - A velocidade de aplicação
A velocidade de aplicação é na verdade a velocidade com que se aplica o rodo. Alterações na velocidade promovem variações na quantidade de tinta aplicada, sendo que estas alterações funcionam com uma ajuste fino para correção de defeitos que possam ocorrer em locais isolados do desenho.

Nas áreas que há necessidade de maior depósito de tinta, a velocidade de impressão deve ser mais lenta.

Nas áreas de impressão com detalhes finos, a velocidade deve ser mais rápida.


4 - O peso (pressão) sobre o rodo
O peso sobre o rodo provoca o aumento de forças de atrito prejudiciais à tela. O peso não faz com que passe mais tinta, embora passe mais tinta quando se faz mais pressão, isso não ocorre por causa do peso em si, e sim porque, com o excesso de preso sobre o rodo, a lâmina de PU dobra e com isso reduz o ângulo de aplicação, esse sim responsável por passar ais tinta, conforme vimos no item anterior. Tentar aumentar a quantidade de tinta aplicando mais força sobre o rodo é ruim porque vai desgastar o rodo, a tela e ainda terá o risco de deformar o desenho.

Uma pressão excessiva também provoca problemas de registro, pois o náilon irá se mover. Deve-se usar pouca pressão no rodo, só o suficiente para que o náilon da tela encoste na peça que está sendo pintada.

5 - O perfil do rodo
Quando aplicado em superfície plana, um rodo de perfil quadrado é o ideal, pois deixa uma camada bem fina de tinta e promove um acabamento perfeito.

Já na indústria têxtil se usa com mais frequência um rodo com perfil redondo, pois esse perfil provoca um maior passagem de tinta. Esse tipo de perfil não deixa uma boa definição nas bordas do desenho e tende a borrar um pouco; é muito utilizado em estamparia têxtil porque nesse tipo de impressão há necessidade de grandes quantidades de tinta para produzir o efeito desejado.


6 - O fora-contato da tela
O fora-contato é o espaço que fica entre a tela e o material que está sendo pintado. Faz com que o náilon não fique “grudado” na peça depois da impressão.

O fora-contato também é importante na qualidade da impressão, pois se o náilon da tela ficar em contato total sobre a peça, dará um efeito de “digital”, danificando o acabamento da pintura, reduzindo brilho e até mesmo a cobertura da tinta.

Mas o fora-contato deve ser o mais baixo possível, pois um fora-contato muito alto irá deformar o desenho da tela e se não for padrão em todas as telas diferentes usadas no mesmo modelo, também provocará perda de encaixe.

Para conseguir um fora-contato bem baixo e eficiente, outro fator determinante é a esticagem do náilon da tela.


7- A esticagem do náilon da tela
O náilon deve ser esticado de acordo com a tensão recomendada pelo fabricante. Cada tipo de tecido tem uma tensão ideal diferente. Por isso é recomendado esticar em equipamentos pneumáticos e não pelo processo manual, o qual pela falta de controle da tensão, provoca distorções, perda de registro e alterações na cor impressa.

Se na pintura de um determinado modelo for necessário usar quatro telas diferentes, as quatro deveriam ser esticadas no mesmo dia, com o mesmo náilon, na mesma tensão e na mesma inclinação.

8 – O material a imprimir
Alguns tipos de materiais podem estar impregnados com lubrificantes que, assim como a migração de plastificantes, podem prejudicar a fixação e diminuir a resistência química da tinta, mesmo tendo passado um período de tempo considerável após a impressão. Para contornar esse problema é essencial a limpeza da peças antes da impressão.

A limpeza também é importante pois o material pode ser contaminado dentro do próprio almoxarifado do cliente, seja por olhos, graxas, poeira e até gordura das mãos durante o manuseio.


9 – Registros (Gabaritos)
É primordial que o material que será impresso, permaneça totalmente estável durante o processo de impressão.

Existem várias formas de se fazerem registros e cada forma pode ser usada dependendo do material que está sendo impresso. Para impressão de peças planas pode-se usar pinos fixados em placas de chapas rígidas. Pode também ser feito registros por encosto, porém esse tipo de registro oferece menor precisão, a menos que os contornos sejam absolutamente idênticos (cortados em guilhotinas ou navalhas). Toda via, se o material impresso é poroso, recomenda-se utilizar Adesivo de Contato Permanente ou fita dupla-face para fixá-lo durante as impressões.


10 -A tinta
Três fatores interagem para determinar que tipo de comportamento a tinta irá apresentar durante a impressão:

PS. Quando falamos de comportamento da tinta, estamos falando apenas de secagem, cobertura, e cor.

  1. a fórmula da tinta
    Todos os itens que compõem a fabricação de uma tinta, de uma forma ou de outra, interferem no comportamento que a tinta terá sobe a tela. Além do fato de ela poder ser usada na sua viscosidade inicial (como vem na lata) ou com a adição de solventes. Variação de temperatura e tempo de validade, também podem alterar o comportamento da tinta. Por tanto, para manter um padrão de qualidade durante o uso das tintas também será preciso manter um padrão no processo de uso.
  1. contagem dos fios da tela
    O número de fios da tela diretamente determina a quantidade de tinta que será aplicada na impressão, pois a trama da tela funciona com uma peneira, controlando a passagem de tinta. Quanto maior o número de fios na tela, menor é a passagem de tinta e vice-versa. Isso interfere na cobertura da tinta e também na tonalidade, visto a tinta muda de cor conforme a espessura, principalmente se forem cores claras aplicadas sobre material escuro.
  2. aplicação do rodo
    A forma como se aplica o rodo interfere no comportamento da tinta, pois para que tenhamos uma boa impressão é necessário que a tinta atravesse o náilon da tela até chegar no material que está sendo pintado, e o responsável de que isso aconteça é a aplicação do rodo. Porém se essa aplicação for feita muito rápida, a quantidade de tinta que passará para o material será pequena, o que poderá causar problema de cobertura e ou tonalidade. Da mesma forma, se passar muito lento pode dar excesso de tinta e borrões.

3 comentários:

  1. Poderia fazer uma matéria sobre qual o tipo de impressora mais indicada para ser utilizada na serigrafia, assim como vocês fizeram com as lampadas. Obrigado

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    1. Olá, Wandercleyson

      Boa sugestão...aguarde que vou tentar fazer o post sugerido

      Abraço
      Carlos Damasceno

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  2. Seria possivél usar tinta nankin no cartcho da impressora?,a impressão no papel vegetal faria uma boa revelção na tela?

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